catatau
   
1 - 190 Km/h é relativo?
2 - A Mitologia dos Instintos
3 - Freud Além da Alma (1962) e novos recursos
4 - Watergate tupiniquim
5 - Links for 2009-06-20 [del.icio.us]
6 - Compilação inédita de Wittgenstein por um professor brasileiro
7 - Jornalistas “entrevistam” piratas somalis
8 - Links for 2009-06-18 [del.icio.us]
9 - Novidades sobre o cérebro de Einstein e ilusões visuais
10 - Período de exaustão da democracia representativa
11 - Links for 2009-06-15 [del.icio.us]
12 - O Sul do Brasil em 1942
13 - Operação Angustifolia
14 - Links for 2009-06-02 [del.icio.us]
15 - Links for 2009-05-20 [del.icio.us]
16 - Links for 2009-05-01 [del.icio.us]
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1 - 190 Km/h é relativo?
   
7/1/2009 12:22:26 PM
      

Alguns dias atrás o pedaleiro divulgou um vídeo, já bastante notório, com uma perícia contratada para reconstituir o acidente com o ex-deputado Ribas Carli Filho (PSB).

A perícia foi solicitada pela família Yared, de uma das duas vítimas do acidente. Além de afirmar com dados factuais que as câmeras de segurança que flagraram o acidente foram adulteradas (o vídeo mostra isso de forma rigorosa), a perícia chegou ao resultado: o deputado seguia a aproximadamente 191Km/h.

No dia 22/6 a polícia realizou a reconstituição oficial. Estipulou-se o prazo dos resultados em 30 dias. A mãe de uma das vítimas, Cristiane Yared, manifestou o tom: "Tem um deputado que não lembra de nada, um delegado que não sabe de nada e um hospital indiferente. É tudo muito estranho".

Segundo esse mesmo informe da reconstituição feito por João Varella, o perito contratado pela família Yared avaliou a perícia oficial como satisfatória. Dado o encaminhamento da investigação, provavelmente não haverá, segundo ele, "divergência significante".

Dados os termos, chegamos a uma questão controversa, que o resultado da perícia oficial poderá responder. No dia do acidente, diversas testemunhas afirmaram encontrar o velocímetro do carro do deputado travado em 190 Km/h. Uma das testemunhas é o reporter da Banda B, Sidnei Alves, que afirmou (segundo Fabio Campana) ter visto tal marca. Mas de repente os dados mudaram: o delegado Armando Braga, responsável pelo caso, declarou que o velocímetro estava zerado após o acidente. E em outra ocasião, a Secretaria de Segurança pública divulgou um documento declarando não haver testemunhas desse fato específico.

Mas os fatos colocam a pergunta: se testemunhas viram o velocímetro travado em 190 km/h, e se a perícia contratada constatou a velocidade de 191,5 Km/h, em que se baseou o juízo do delegado, afirmando que o velocímetro estava zerado? A perícia contratada - caso correta - prova que os relatos testemunhais de "190 km/h" não foram uma ficção, uma constatação, mera impressão. Reunindo todos os dados (pelo menos os oferecidos pela imprensa), há algo muito discrepante.

2 - A Mitologia dos Instintos
   
6/30/2009 7:17:44 AM
      

 http://eduardo.mahieu.free.fr/2008/binswanger_gif.jpeg

"Sempre tivemos o pressentimento, escreve [Freud] aos setenta e seis anos, que atrás desses inumeráveis instintos pequenos se oculta algo grave e poderoso, algo a que desejamos nos aproximar com cautela. A teoria dos instintos é, por assim dizer, nossa mitologia; os instintos são seres místicos grandiosos em sua indeterminação. Em nosso trabalho não podemos retirar a vista deles por um instante sequer, e não obstante, nunca estamos seguros de vê-los com claridade".

Aqui vemos o incessante assombro do investigador da natureza ante a gravidade e o poder da vida e da morte a ela imanente, o assombro diante de uma vida que, como pensou Freud, "todos sofremos muito", sofrimento para o qual não há compensação nem consolo, mas cuja tolerância segue sendo "o primeiro dever de todos os seres vivos". Só é possível cumprir com esse dever se nos orientamos até a morte, si vis vitam, para mortem, pois a vida se nos faz mais "suportável" quando concedemos mais valor à verdade, em particular frente à morte. (BINSWANGER, L. La Concepción Freudiana del Hombre. Articulos y Conferencias Escogidas. Madrid: Gredos, s/d)
 
 
 http://i6.photobucket.com/albums/y201/cosmorama/fernandopessoa.jpg
 “… o mundo, monturo de forças instintivas, que em todo o caso brilha ao sol com tons palhetados de ouro claro e escuro. (…) Um terramoto e um massacre não têm para mim diferença senão a que há entre assassinar com uma faca e assassinar com um punhal. O monstro imanente nas coisas tanto se serve – para o seu bem ou o seu mal, que, ao que parece, lhe são indiferentes – da deslocação de um pedregulho na altura ou na deslocação do ciúme ou da cobiça num coração”.
 
“há momentos em que a vacuidade de se sentir viver atinge a espessura de uma coisa positiva. Nos grandes homens de ação, que são os santos, pois que agem com a emoção inteira e não só com parte dela, este sentimento de a vida não ser nada conduz ao infinito. Engrinaldam-se de noite e de astros, ungem-se de silêncio e de solidão. Nos grandes homens de inação, a cujo número humildemente pertenço, o mesmo sentimento conduz ao infinitesimal; puxam-se as sensações, como elásticos, para ver os poros da sua falsa continuidade bamba. E uns e outros, nestes momentos, amam o sono, como o homem vulgar que nem age nem não age, mero reflexo da existência genérica da espécie humana. Sono é a fusão com Deus, o Nirvana, seja ele em definições o que for; sono é a análise lenta das sensações, seja ela usada como uma ciência atômica da alma, seja ela dormida como uma música da vontade, anagrama lento da monotonia”.
 
(…) “A persistência instintiva da vida através da aparência da inteligência é para mim uma das contemplações mais íntimas e mais constantes. O disfarce irreal da consciência serve somente para me destacar aquela inconsciência que não disfarça.
Da nascença à morte, o homem vive servo da mesma exterioridade de si mesmo que têm os animais. Toda a vida não vive, mas vegeta em maior grau e com mais complexidade. Guia-se por normas que não sabe que existem, nem que por elas se guia, e as suas ideias, os seus sentimentos, os seus actos, são todos inconscientes - não porque neles falte a consciência, mas porque neles não há duas consciências.
Vislumbres de ter a ilusão - tanto, e não mais, tem o maior dos homens.
” (Livro do Desassossego, nº 133, 155 e 149)
3 - Freud Além da Alma (1962) e novos recursos
   
6/24/2009 7:00:53 PM
      

Achado no Archive.org:

Junto com Copérnico e Charles Darwin, Freud revolucionou a maneira do ser humano ver a si mesmo dentro do infinito Universo. Ao afirmar que as ações e os desejos humanos não são frutos da vontade e da vaidade humana, mas sim do nosso inconsciente, Sigmund Freud abalou o mundo científico e criou uma nova maneira de entender a psique humana. Em "Freud - Além da alma" (1962), John Huston pretende mostrar como as teorias freudianas esboçam a própria vida de um dos maiores gênios da Humanidade. Ansioso em obter respostas plausíveis para aplacar o sofrimento de seus pacientes, Freud enveredou-se à doutrina de Charcot e utilizou-se da hipnose em seus estudos sobre histeria. Embora seus estudos encontrassem a resistência da ala conservadora da Medicina, que via nas teorias de Freud uma ameaça à primazia do ser humano, Freud prosseguiu em sua linha de pensamento e descobriu que o ser humano é dividido entre o Consciente e o Inconsciente, lançando as bases da Psicanálise. Huston, baseado no roteiro escrito pelo filósofo Jean-Paul Sartre (que não consta nos créditos do filme), evitou o risco de fazer uma caricatura de Freud e não abordou a sua vida pessoal, restringindo-se aos seus estudos psicanalíticos. Opção acertada do diretor, pois sua produção não cai na mesmice de filmes meramente biográficos, que se baseiam em informações fragmentadas sobre a intimidade de um personagem histórico e acabam criando indiscriminadamente um mito. É interessante observar como Huston conseguiu articular as descobertas de Freud com as próprias experiências pessoais do psicanalista, como a teoria que desenvolveu sobre o Complexo de Édipo, fundamentando-se na relação com seu pai morto. Com uma linguagem metafórica e onírica, Huston mostra o conflito interior que viveu Freud enquanto tentava penetrar no obscuro inconsciente de seus pacientes, pois temia encontrar o inefável, o impensável. Na verdade, Freud temia encontrar a sua própria essência. Com um elenco notável encabeçado por Montgomery Clift, Susannah York, Larry Parks e David McCallum, "Freud - Além da alma" é um filme acadêmico, inteligente e instigante, que nos permite uma melhor compreensão das teorias freudianas sobre o funcionamento do inconsciente humano e da irrupção do pensamento psicanalítico na sociedade vienense e, depois, no mundo. Um filme tão genial quanto o legado de Sigmund Freud, com legendas em português.

Pode-se fazer o download do filme em diversos formatos, e ainda assistir no próprio site.

O Archive.org tem divulgado ultimamente verdadeiras raridades de domínio público (para além das costumeiras). E para melhorar, também adiciona novos recursos. Para quem pesquisa textos, o recurso "read online" permite visualizar o documento sem precisar "baixar". Algo que completa a já disponível visualização em arquivo de texto.

Para quem não costuma acessar, isso significa o seguinte: esse fabuloso arquivo virtual dispõe de diversas edições originais escaneadas. Muitas vezes os arquivos ocupam muito espaço e demoram para download, então o usuário pode tanto pré-visualizar o livro em formato texto (opção antiga), quanto na própria imagem original (opção nova). Muito bom!

Em via contrária, a Gallica (da Biblioteca Nacional da França) complicou a acessibilidade, com sua nova plataforma. Atualmente é mais difícil pesquisar, e a plataforma exige maior envolvimento do usuário.

O portal francês adicionou uma nova vantagem: vinculou-se com diversas editoras e arquivos on-line. Mas, contra a acessibilidade, muitas dessas editoras e arquivos exigem pagamento para acesso parcial ou completo.

Ponto para o Archive.org.

4 - Watergate tupiniquim
   
6/22/2009 1:40:21 PM
      

O explosivo escândalo dos candidatos curitibanos a vereador (PRTB) que desistiram das candidaturas para apoiar o prefeito re-eleito Beto Richa (PSDB) em troca de vantagens - às vezes financeiras - já rendeu um nome bastante sugestivo na mídia paranaense: "Watergate Manassés".

O nome é muito interessante. Inclusive essa racionalização do acontecimento, dada por alguns jornalistas, tem algumas ressonâncias com outra declaração da semana passada, de José Sarney: a crise do Senado, segundo ele, se deveria a "um período de exaustão do modelo de democracia representativa".


No Paraná, vivemos um novo Watergate. Já o senado brasileiro não sofreria um caso particular - brasileiro -, mas de um movimento ou crise mundiais. É a democracia representativa como um todo que vive a "crise", e não nós, brasileiros, numa dinâmica política especificamente brasileira. Pouco importa Sarney ter declarado, também na semana passada, que “O que houve foi a falta de uma formalidade essencial”  no escândalo dos atos secretos (houve então uma "informalidade essencial?). Não importa ele pretender avaliar "se tudo é verdade", após afirmar explicitamente a contratação de uma sobrinha pelo Senador Delcidio Amaral, no PT-MS, e explicitamente optar por não comentar sobre vantagens semelhantes garantidas a um neto (se tudo é verdade, de algum modo já o foi declarado, embora ninguém pôs a questão sobre como os procedimentos judiciais acompanham ou não as declarações públicas).

Importa vivermos um "watergate" aqui e acolá, ou um "período de exaustão" da democracia representativa. Indicadores ou tipificações que "transcendem" a nós, brasileiros.

As racionalizações emprestadas acima talvez sigam o empréstimo das notícias das agências internacionais. Hoje se pode escolher ler o Le Monde, a BBC notícias ou qualquer outro. Salvo casos particulares, está ali tudo o que o jornal da TV brasileira mostrará. 

No meio disso tudo, o que faz o jornalista? Ou o que deixa de fazer, dado que até o alcance de seu diploma já se relativiza? Duas coisas se podem afirmar, pelo menos relativas aos grandes holofotes da imprensa: de um lado, eles são um requentado de algumas agências internacionais, em suma, mídia bóia-fria. De outro, não são apenas  fatos requentados, mas racionalizações requentadas.

O Sarney declara que não é a crise do Senado brasileiro, mas uma crise mundial, e o que lê em troca? Nada, nenhum jornalista considerou sobre o ritmo dos escândalos brasileiros talvez obedecer uma dinâmica brasileira. Ou mesmo o novo escândalo, dos candidatos curitibanos a vereador. Seriam casos particulares, talvez fruto de um espírito da época mundial globalizada?

Por sorte, às vezes os próprios "fatos" se impoem e oferecem ensinar o essencial. Sobre o affair curitibano, para além de financiamentos de pichações, propaganda de boca de urna, ou recibos assinados às gargalhadas com o número "171", as palavras de Neido Bonanza, um dos ex-candidatos do PRTB a vereador e destinatário de dinheiro do PSDB:

De onde vem o dinheiro eu não sei. Agora, qualquer um sabe como trabalha a política nossa, brasileira. Se está errado, que se busque (…) o poder judiciário, que sabe o que deve saber, e que busque e mostre pro povo.

 

5 - Links for 2009-06-20 [del.icio.us]
   
6/21/2009 2:00:00 AM
      
6 - Compilação inédita de Wittgenstein por um professor brasileiro
   
6/19/2009 11:59:47 AM
      

O prof. João Carlos Salles, da UFBA, lançará hoje uma nova tradução de Anotações sobre as cores, de Wittgenstein [pesquisa de preços e link na Cultura].

A tradução tenta completar e suprir as imprecisões de outro trabalho anterior, parcial e mal estabelecido.

Informe sobre o lançamento do livro, e comentário de Salles sobre a edição.

7 - Jornalistas “entrevistam” piratas somalis
   
6/19/2009 7:22:57 AM
      

A BBC acabou de publicar reportagem na qual um correspondente “fala” com piratas somalis presos. Apesar da brevidade da “conversa” e do tom suspeito (para não dizer ingênuo) do jornalista, os piratas continuam defendendo seu ponto de vista.

Qual é ele? Apenas vendo o tom da “entrevista” para compreender.

Ponto para Johann Hari, que pelo menos fornece mais detalhes do que o mero achismo do certo e do errado.

8 - Links for 2009-06-18 [del.icio.us]
   
6/19/2009 2:00:00 AM
      
9 - Novidades sobre o cérebro de Einstein e ilusões visuais
   
6/18/2009 8:19:40 PM
      

Da Mente e Cérebro:

Os estudos sobre o cérebro de Albert Einstein (1979-1955) não desvendaram, como muitos esperavam, a anatomia da genialidade. Pelo contrário. Saber que o órgão pensante do cientista pesava pouco menos que a média do cérebro de um homem adulto e tinha o córtex mais fino, porém com maior densidade de neurônios, só intrigou ainda mais os neurocientistas.
 
Agora um grupo de paleontologistas da Universidade da Flórida identificou mais uma peça desse quebra-cabeça. Paleontologistas? Sim, e acostumados a analisar cérebros antigos e nas mais adversas condições. Vale lembrar que o cérebro de Einstein há tempos não é mais um órgão intacto. Os pesquisadores usaram técnicas paleoantropológicas para analisar fotografias dele, tiradas antes de ter sido literalmente retalhado. Assim conseguiram identificar alterações que até então passaram despercebidas pelos neurocientistas.
 
Os resultados indicam características incomuns no córtex somatosensorial primário e no córtex motor. “É possível que esses aspectos atípicos do cérebro de Einstein expliquem a dificuldade que ele teve na aquisição de linguagem (só superada depois dos três anos), sua facilidade para formar imagens mentais e sua habilidade precoce para o violino”, escreveram os autores. O estudo será publicado em breve na revista Frontiers in Evolutionary Neuroscience, mas uma versão preliminar já está disponível para consulta pública no link

Embora desde que se desmentiu a frenologia seja estranho reduzir aspectos funcionais a meras circunvoluções anatômicas, o informe não deixa de ser interessante. Esperemos os resultados.

Sobre Einstein, seu cérebro, ou temas correlatos, alguns textos e referências:

- O que pode um cérebro?

- Honoré Daumier - ilustrações para Nemesis Médicale (1840)

- Vídeos de Psicologia do Mr. Frogg

- O affair sobre as bases biológicas da violência

- O cérebro dos gays

- Cérebro e Singularidade

***

Photobucket

Qual é homem e mulher?

E outro informe interessante: um concurso elegendo as melhores ilusões visuais de 2009.

10 - Período de exaustão da democracia representativa
   
6/18/2009 9:38:47 AM
      
Algum tempo atrás a TV Senado exibiu um documentário sobre a história da Casa. Entre os entrevistados, José Sarney. E o tom dizia respeito a uma certa hiperbolização nos ornamentos e floreios dos discursos, enquanto efetivamente tudo se resumia ao discurso. Pelo menos segundo senadores atuais, comentando sobre o início do Senado.
 
E ontem o Hermenauta reproduziu uma entrevista com Sarney:

SARNEY – Olha, eu acho que eu tenho um nome que deve ser julgado com respeito pelo país. Eu tenho uma biografia, nunca alguém associou minha vida pública ao nepotismo. Os fatos que colocaram estou mandando examinar. O que estiver errado, se corrija. Se eu tiver algum erro, eu sou o primeiro a corrigir. Mas acho que nunca conduzi de outra maneira que não fosse com correção.
E logo depois,
FOLHA – O que o sr. acha da afirmação do senador Cafeteira de que nomeou seu neto por dever favores a seu filho, Fernando Sarney?
SARNEY –
Você acha que eu, como presidente do Senado, tenho minha biografia, vou discutir uma coisa dessa? Não vou discutir um assunto desse. Minha resposta para vocês é essa.
Favor por favor, após confirmar que uma sobrinha foi contratada pelo Senador Delcídio Amaral (PT-MS) por indicação sua (um conhecido artifício de jeitinho networking tupiniquim), Sarney lança sua explicação própria para o sentido da crise:
Estamos num período de exaustão do modelo de democracia representativa
, portanto isso tem muito mais a ver com a história mundial ou o sabor das nações do que com a biografia de Sarney ou a história particular do Senado brasileiro. Por sinal, 
Não cometi erro nenhum. Querer julgar toda a minha vida por eu ter pedido por uma sobrinha de minha mulher, acho extremamente errado, uma injustiça em relação a mim. Eu deveria ser julgado com mais respeito. Sou o parlamentar mais antigo neste país. Estou fazendo um esforço grande na minha idade.
Entre biografias e histórias, o Senado lança agora uma campanha televisiva institucional. Segundo dizem, sem relação alguma com exaustões e crises.
 
O que devemos entender? Ora, houve provavelmente algum ataque político ao senador Sarney, pois se há "atos ocultos", eles não se resumem ao ilustre senador; portanto, isso não tem relação com crise no Senado, pois se há crise, ela é devida a uma "exaustão" da democracia representativa em geral; por fim, um vídeo promocional divulgado em tal momento, ora bolas, não tem nada a ver com tudo o que ocorre.
 
***
 
E isso tudo vai mais ou menos em direção a uma pergunta que fiz a um jornalista, dias atrás. Temos aqui um representante da "democracia representativa" dizendo que ela está em crise, mas diante fatores relativos ao próprio estatuto dos "representantes". Não vemos nisso um agente reclamando ser paciente? É incrível como o jornalista se contenta em apenas mostrar, às vezes enunciar algum juízo de gosto, porém nunca analisar. Como se a frase "Estamos num período de exaustão do modelo de democracia representativa", dita por um senador e em dadas circunstâncias, não tivesse teor algum.
 
Não ocorre a mesma coisa com  o blog da Petrobrás? Houve muito gosto e desgosto. Mas - o que é estranho - os holofotes maiores da imprensa não passam daí. Vai ver é o "período de exaustão".
11 - Links for 2009-06-15 [del.icio.us]
   
6/16/2009 2:00:00 AM
      
12 - O Sul do Brasil em 1942
   
6/15/2009 6:56:58 AM
      

 

O vídeo acima faz parte do "Travel Film Archive" (link imperdível!), do setor de relações exteriores do governo norte-americano. O Arquivo contém diversos filmes de conteúdo educacional ou comercial, gravados desde o início do século XX.


Como manifestam os organizadores, é uma videoteca de cunho histórico. Especialmente no tom das narrações, muitas vezes carregadas de caracteres ideológicos ou preconceituosos.

O vídeo acima começa com imagens do Pico Marumbi, no Paraná, passando por Vila Velha (em Ponta Grossa). Depois descreve cada um dos Estados do Sul. No Paraná, mostra imagens imperdíveis da Ferrovia Paranaguá-Curitiba, uma obra de engenharia elogiada por muitos anos. Chegando em Curitiba, filma pontos do centro, como o prédio histórico da UFPR (ainda sem a configuração atual) e a praça Tiradentes.

Em Santa Catarina, as filmagens se concentram em Florianópolis e particularmente na ponte Hercílio Luz. Já o Rio Grande do Sul concentra quase a metade do documentário, mostrando desde o sul da Lagoa dos Patos a Porto Alegre, destacando fatores industriais e portuários. Os gaúchos "por definição" também são mostrados, em belas imagens.

O Arquivo contém também documentários sobre o Rio de Janeiro (com e sem carnaval), São Paulo, outras regiões do Brasil, e um dedicado exclusivamente às "Iguassu Falls".

(Dica do Física e Meio Ambiente)

13 - Operação Angustifolia
   
6/9/2009 9:23:04 AM
      
ibamaangustifoliag.jpg
 
  Sábado de manhã, em diversos pontos da tradicional Rua XV de Curitiba, alguns agentes do IBAMA exibiam orgulhosamente troncos de Araucárias centenárias cortados ilegalmente, apreendidos na operação "Angusti-folia" (Conferir notícias).
 

A operação se detém na vasta região centro-sul do Paraná, abrangendo diversos municípios. Região notável precisamente pelas Araucárias: Mangueirinha, que não fica longe, contém a maior reserva de remanescentes do mundo.
 
Não por acaso, grande parte da economia local - e da política - se move por interesses ligados às madeireiras. E unindo esses dois interesses, o caráter "estratégico" dessas empresas no local ultrapassa a própria função de madeireiras, em direção a outros tipos de empreendimento. Em outras palavras, além da geração de empregos na região, a história local de várias comunidades também se liga à existência dessa atividade.
 
Nisso se começa a ver a complexidade da situação. Embora infelizmente a fiscalização regular é pouca ou inefetiva no local, a operação Angustifolia não envolve apenas atividades isoladas, mas uma imbricada rede de interesses que também ultrapassa essas atividades. Talvez nesse sentido José Alvares Carneiro, superintendente do IBAMA no PR, afirme que “essa operação vai atrás dos peixes grandes”.
 
A lista dos "peixes grandes" de fato ultrapassa a mera esfera da atividade madeireira: foram presos os prefeitos de Bituruna (Remi Ranssolin, do PTB) e General Carneiro (Ivanor Dacheri [PSB], com o  o presidente da câmara, José Cláudio Maciel[PSB]). De Coronel Domingos Soares foi preso o vice-prefeito, Volnei Barbieri (PSDB). O deputado estadual Luciano Pizzato (DEM) é um investigado. Diversas madeireiras foram embargadas, e as multas ultrapassam 4 milhões de reais.
 
Deixando claros os interesses acima, deputados da Assembléia Legislativa do Paraná se posicionaram contra a operação, não raro afirmando "excessos" e "terrorismo". Entre eles constam os deputados Valdir Rossoni (PSDB, cuja base política na região foi atingida), Reinhold Stephanes Júnior (PMDB) e Felipe Lucas (PPS).
 
Curioso notar como o tom de diversas dessas declarações é muito semelhante ao dos pronunciamentos públicos de algumas madeireiras embargadas. Embargadas por aplicação da lei e não por "política", como pretendem alguns desses deputados. De todo modo, não deixa de ser política a medida que interfere em tal rede de cumplicidades políticas, e a revolta desses deputados só põe à luz essas cumplicidades (caso contrário, veríamos na cobertura apenas a aplicação da lei).
 
***
 
Um caso recente mostra como os deputados deveriam ser mais cuidadosos em suas declarações públicas.
 
Alguns dias atrás,  sobre o caso Ribas Carli Filho, o blogue do Fabio Campana divulgou um pronunciamento do presidente da ALPR, deputado Nelson Justus. Na ocasião ele se pronunciou contra os "exageros" (sic) na investigação do caso.
 
Dado que "exagero" se referia à grande repercussão, unida à suspeita pública de que a investigação foi é mal conduzida e com tratamento diferenciado (basta ver o tom dos âncoras e as notícias dos últimos dias), Justus retificou a declaração (geradora de diversos comentários a contestando, sendo depois apagada do blog de Campana) e voltou atrás: segundo ele, "a assembléia não será conivente com a impunidade".
 
É claro que a situação da declaração de Justus é diferente dessa, dos deputados contra a operação Angustifolia.  É claro que nunca se pode acusar a priori qualquer cidadão, e que a priori tudo "deve" ser investigado. Qualquer pessoa sabe disso. Mas o que nenhum deputado pode discordar é que, se entre essas declarações não há continuidade, há uma estranha homologia.
 
14 - Links for 2009-06-02 [del.icio.us]
   
6/3/2009 2:00:00 AM
      
15 - Links for 2009-05-20 [del.icio.us]
   
5/21/2009 2:00:00 AM
      
16 - Links for 2009-05-01 [del.icio.us]
   
5/2/2009 2:00:00 AM
      
17 - Links for 2009-04-25 [del.icio.us]
   
4/26/2009 2:00:00 AM