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1 - Livro de Jó, descendência e amizade | ![]() |
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Placa com desenho de William Blake, representando o momento em que os amigos de Jó aparecem para vê-lo (todas as placas, coloridas e monocromáticas, aqui)
Lendo Jó - A Força do Escravo, de Toni Negri, outras questões interessantes aparecem, quando se propõe a extrair uma certa "atualidade" da figura bíblica. Negri tenta extrair as significações do embate entre Deus e o homem em termos de um debate ontológico (a absoluta desmedida divina, contra a absoluta "afirmação" de Jó quanto a sua posição finita); com isso, busca, à luz de Espinosa, reatualizar esses significados.
Em um outro caminho de leitura, é curiosa a extração de outros ítens. Dentre eles, as antigas tradições relativas ao vínculo com o outro, pautadas por exemplo na descendência e na amizade.
Quando Jó perde todos os bens, imediatamente a condição humilhante se reporta à descendência. Ao desgraçado, é vedada a continuidade na terra:
Do mesmo modo, quando Jó amaldiçoa o próprio dia em que nasceu, aparecem seus três amigos, Elifaz, Zofar e Bildad. Rasgam as vestes, e buscam, como advogados, encontrar um termo que possa explicar a desgraça de Jó. Contra a desmedida divina, Jó poderia apenas ter pecado, mesmo que seu pecado permaneça inconfesso, ou oculto.
Independente do caráter judaico da amizade e da descendência, pode-se dizer que estes dois elementos estão relacionados a toda uma série de valorizações antigas (obviamente, não uniformes) do ser humano. Dizer hoje, por exemplo, que o aborto voluntário é um problema que deve ser abertamente discutido, ou que a amizade mudou, evoca outras valorizações, e outro tipo de relação com os outros.
Em relação à descendência, vários elementos poderiam ser elencados para se mostrar que, ao contrário da antiguidade, ter um filho em tempos não muito distantes pode ser considerado até mesmo um fator negativo. Um exemplo é a projeção do futuro feita por David Ricardo e Malthus: os dois propunham o controle da natalidade como forma de evitar crises econômicas. Em tempos de planejamento social, a constituição das famílias e a reprodução poderiam agir como fator não de fartura (como na antiguidade), mas de pobreza.
Quanto à amizade, sob muitos aspectos a noção de self made man dispensa velhos vínculos. A ligação pragmática, superficial e contextualizada, os amigos enquanto "passam uma fase juntos", e a ligação exclusivamente relacionada aos afazeres deslocam antigas tradições duráveis para vínculos meramente fortuitos. Aí se revela um significado antigo muito importante, relativo à amizade. Deus concede ao "opositor" ("o satã") retirar tudo o que Jó possui. Perde os bens e a família, enfim, todo o legado e descendência. Uma coisa, entretanto, não perde, além da própria vida: a amizade. Mesmo que estejam errados, os amigos de Jó agem em prol de uma reconciliação do amigo com a presença divina.
Nada mais distante de certas experiências atuais. Em caso de desgraça, um self made man tem grande probabilidade de se encontrar sem os privilégios de um Jó: permanecerá sozinho.
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2 - Links for 2008-05-08 [del.icio.us] | ![]() |
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3 - Links for 2008-05-07 [del.icio.us] | ![]() |
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4 - Frédéric Gros, sobre novas noções de Guerra | ![]() |
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| 5/7/2008 8:14:25 PM | ||||
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A Caros Amigos pulicou uma entrevista com Frédéric Gros, concedida a Gabriela Laurentiis. Reproduzimos, abaixo: Primeiramente, o senhor poderia explicar o conceito de guerra nas culturas ocidentais? Por que esse conceito mudou depois da queda do Muro de Berlim? Qual é a nova concepção sobre a guerra? Ainda mais precisamente do que o conceito de guerra na cultura ocidental, o qual me parece abranger coisas demais, eu poderia aqui simplesmente evocar o conceito de guerra para a "filosofia" ocidental moderna. Creio que ela contém uma das primeiras definições que existiram sobre a guerra. É definida, num livro de Alberico Gentilis datado do fim do século 16, como "conflito armado, público e justo". Retenho três dimensões dessa definição clássica. Por "conflito armado" é preciso entender um conflito violento, ou melhor, mortal. Mas essa dimensão, creio, é marcada durante toda a época moderna por uma estrutura de reciprocidade. Quer dizer que a guerra é construída como um conflito que opõe dois exércitos, fazendo os soldados se enfrentarem num campo de batalha, dos quais cada um ameaça a vida de cada outro na medida em que expõe a risco a própria vida. É esse elemento duplo de exposição à morte (portanto, de superação do medo de morrer) e de reciprocidade (portanto, de troca), que fascinou a filosofia moral. Um grande número de grandes valores éticos, como a coragem, o senso do sacrifício, a vontade de se superar, ou ainda a obediência, foram particularmente desenvolvidas no Ocidente a partir da experiência da guerra. Mas o progresso técnico transformou essas construções, quando a guerra se tornou uma matança moderna. A segunda dimensão não é ética, mas política: compreende a guerra como uma relação de violências regrada com o objetivo de reforçar, consolidar, afirmar um Estado. É a idéia da guerra como "conflito público". Por exemplo, Rousseau escreverá no seu Contrato Social que "a guerra é uma relação de Estado a Estado". Esse segundo sentido da guerra como ato de afirmação dum Estado soberano se constituiu no Ocidente quando o espaço político europeu se construía como a coexistência de uma pluralidade de Estados, cada um devendo afirmar sua consistência em relação a cada outro. Donde vem o que se chama o sistema clássico de segurança, em que o Estado se caracteriza, se legitima e se define a partir do monopólio da violência, do qual ele disporia, por um dever ilimitado de paz no interior (a ordem pública devendo ser assegurada a qualquer preço) e um direito ilimitado de guerra no exterior (para preservar sua integridade, ele pode a qualquer momento atacar outra unidade política). Enfim, quando Alberico Gentilis fala de "conflito justo" para definir a guerra, ele quer dizer com isso que a guerra é um conflito que porta uma reivindicação de direito. Essa idéia de guerra justa abrange, ademais, várias realidades : se pode pensar numa guerra justa no sentido em que a vitória definiria o campo do justo, como se a batalha fosse um processo. Mas se pode pensar também no modelo formado pelos teólogos de uma guerra justa como guerra de "justa causa: é a idéia de que a guerra não pode ser conduzida a não ser que se trate de reparar uma injustiça, punir um culpado. Enfim, se pode pensar na guerra justa como conflito em que os beligerantes (os Estados) desencadeiam violências armadas entre eles, ao mesmo tempo respeitando certas regras (a declaração de guerra, o respeito às tréguas e aos mensageiros, o bom tratamento dos prisioneiros etc.) Ora, esse conceito mudou, mas não forçosamente após a queda do Muro de Berlim. Creio que é uma série de rupturas que transformou profundamente a guerra. Pode-se pensar no progresso das técnicas de destruição, das metralhadoras à arma nuclear. Esse progresso foi de tal envergadura que o conflito entre grandes potências, que tinha escandido toda a história da Europa com notável regularidade, acabou significando seu suicídio recíproco. Mas se deve também, a longo prazo, considerar a importância política crescente das grandes democracias liberais, isto é, unidades políticas que privilegiam a discussão como meio de regulação dos desacordos e são receptivas a uma opinião pública, cada vez mais em relação a toda forma de sofrimento. O que a queda do Muro certamente provocou foi, por um breve momento, a esperança, a ilusão de que poderíamos viver num mundo sem guerra, pois o próprio símbolo da Guerra Fria, com tudo que envolvia de pesadelos ameaçadores, havia desabado.
Por que o senhor pensa que estamos no início da era dos "estados de violência"? O senhor poderia explicar o que é o conceito de segurança? Por que esse conceito redefine o agente político na sua dimensão de ser vivo? O senhor poderia comentar a frase de Michel Foucault, "na história do conhecimento, a noção de natureza humana me pareceria ter desempenhado essencialmente o papel de um indicador epistemológico para designar certos tipos de discurso em relação ou em oposição à teologia, à biologia ou à história". O senhor pensa que existe uma natureza humana? Por quê? *** E bem a propósito, saiu a edição em inglês de Segurança, Território, População. Continuando o tema, Gros concedeu outra entrevista, muito semelhante e complementar, intitulada "Penser la guerre" (por David di Nota). Nessa mesma referência, consta um ensaio de Gros intitulado États de Violence - Essai sur la fin de la Guerre. Dentre outros, Gros escreveu Foucault e a Coragem da Verdade, e Foucault et la Folie. |
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5 - Categorias raciais e sociais, no informe sobre ações afirmativas. | ![]() |
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| 5/5/2008 8:07:09 AM | ||||
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O Marcos chamou a atenção a um recente estudo, divulgado pela revista da FAPESP. Demonstra-se lá a eficácia de políticas afirmativas na inserção de estudantes desprivilegiados, nas universidades. Consoante um antigo texto ("Raça - entre o argumento biológico e sócio-histórico"), gostaria de chamar a atenção a alguns elementos: O artigo fala sobre os benefícios fornecidos a "egressos de escolas públicas e grupos étnicos socialmente desfavorecidos". Isso inclui, portanto, duas questões: a social, e a questão étnica imersa na questão social. É o solo comum das discussões: no Brasil, o desprivilégio racial é, em primeiro lugar, social. Racismos, por aqui, não ocorrem como em outros países, onde a discriminação é sobretudo étnica, e os prejuízos sociais são decorrência disso. No Brasil, não se separa discriminação racial e social. Portanto, no fundo as duas questões se diluem (ou deveriam se diluir) em uma: a social. "Grupos étnicos socialmente desfavorecidos", no Brasil, inserem-se no grupo mais geral dos "socialmente desfavorecidos". Logo após, o artigo apresenta outra noção, a de "resiliência educacional". Indivíduos provindos de classes desfavorecidas apresentariam uma maior capacidade de se adaptar às adversidades. Superariam desafios duplos, com a vida difícil, e os estudos. A resiliência dos alunos os levaria inclusive a padrões de desempenho melhores que seus colegas, de classe média e alta. O que se torna complicado, como observamos no outro texto, é essa justaposição de categorias "raciais" e "sociais", para justificar apenas, ou sobretudo, as práticas raciais. Nesse texto, a noção social de "resiliência educacional" se justapõe às práticas afirmativas, que prioritariamente se focam na raça, e não na condição social. Ou melhor, focam-se na questão social prioritariamente com "lentes" raciais. Se o argumento se dirige do desprivilégio social ao racial, não se tornaria um constrangimento aludir que os setores contemplados com ações afirmativas detém características psicológicas privilegiadas ("resiliência"), diante dos outros setores? É claro que não. Todos sabem que "resiliência educacional" pode ser uma noção social, mas nunca racial. Mas é precisamente isso que mostra todo o desequilíbrio. Tudo obedece ao fato de que as políticas sociais, no Brasil, fiam-se prioritariamente na raça, e não no socius. Dado que o racismo e o desprivilégio, no Brasil, são sociais, e não uma categoria apenas biológico-étnica, cria-se aqui uma generalização equivocada. Justifica-se um argumento geral para legitimar uma prática parcial, como se a parcialidade por si só resolvesse tudo. Mas seguindo o mesmo raciocínio, se as políticas de incentivo fossem prioritariamente sociais, não atingiriam os mesmos resultados raciais, abarcando inclusive indivíduos que no momento atual ficam à margem das ações afirmativas? A "generalização equivocada" não se resume a um problema lógico. É social. *** O artigo da FAPESP se previne, apresentando vantagens de políticas relativas a egressos de escolas públicas, ao invés de apenas cotas. Inclusive apresenta a discussão entre cotistas e outros sistemas, como o de bônus e mérito, em universidades como a USP e a UNICAMP. Mas não se pode deixar de notar o peso ainda conferido à questão da raça, na maior parte das políticas relativas a desprivilegiados. |
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6 - Unembbed - Sítio e Livro | ![]() |
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| 5/4/2008 7:21:44 PM | ||||
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Em outro post, publicamos um pequeno informe sobre o site Unembbed. Ele reúne jornalistas iraquianos que exploram regiões onde o trânsito de outros colegas ocidentais seria impossível, sem riscos. Em uma reportagem para o Guardian, Ghaith Abdul-Ahad comenta que, se outro jornalista estivesse cobrindo o mesmo local, seria provavelmente morto ou sequestrado. O risco traz seus resultados: os quatro jornalistas trabalham próximos à população local, diretamente afetada pelo conflito, e também junto aos insurgentes. Vinculado ao site, os jornalistas publicaram um livro com o mesmo título. No link, informações sobre cada um deles. Abrindo o livro, um nome de peso: o Prefácio é de Phillip Jones Griffiths (um dos maiores fotojornalistas de guerra do século XX). |
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7 - O que é o Behaviorismo? (com vídeos de B. F. Skinner) | ![]() |
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| 4/30/2008 11:15:30 AM | ||||
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A referência, com mais 6 vídeos originais do próprio Skinner (!), consta lá no Avanços em História da Psicologia. Segue a definição
Abaixo, duas fotos de B. F. Skinner, durante as pesquisas, e em uma curta passagem pelo cinema. |
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8 - Malthus de novo | ![]() |
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| 4/29/2008 11:14:26 AM | ||||
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Reproduzo abaixo o pequeno "O Retorno de Malthus", de Luiz Marques, no História Viva.
Muito interessante o modo como Marques colocou Malthus entre os liberais e os marxistas: entre a "liberdade" do mercado, constatável a posteriori, e a condução das estruturas sociais por uma massa consciente, figuraria o pensador inglês, ou mais precisamente o significado que se poderia extrair de sua obra. Contra o liberalismo, a presença de um Malthus "atual" mostraria que não ocorre nem um equilíbrio espontâneo e igualitário da economia, e nem um consumo "livre" adequado a recursos infinitos. Contra os socialismos reais, afirmaria que a própria realidade mostrou a impossibilidade de superar os instrumentalismos em direção a uma razão substantiva. "Mas é melhor parar por aqui: neste assunto os carnívoros humanos nem querem ouvir falar." [2] |
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9 - Obras Completas de Charles Darwin on-line | ![]() |
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| 4/28/2008 10:40:09 AM | ||||
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link: /darwin-online.org.uk/
“…it is always advisable to perceive clearly our ignorance.”
***
Para ter uma idéia do tamanho do acervo, e da preciosidade,
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10 - Links for 2008-04-27 [del.icio.us] | ![]() |
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| 4/28/2008 12:00:00 AM | ||||
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11 - Illan Pappé e o debate brasileiro | ![]() |
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| 4/27/2008 8:52:54 PM | ||||
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Vale muito ler a resenha de Daniel Lopes ao livro de Ilan Pappé, The Ethnic Cleasing of Palestine [pesquisa de preços].
Talvez a resenha do Daniel seja uma das primeiras em terras tupiniquins, dentro de recente proposta do "clube de leituras" do Biscoito. Sobre esse livro, em outra oportunidade vinculamos resenhas, referências e entrevistas com o autor. Vale a pena acompanhar a resenha junto com o pequeno documentário The Road to Palestine, de Robert Fisk. Ressonância com vários movimentos do texto do Daniel. |
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12 - Links for 2008-04-25 [del.icio.us] | ![]() |
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| 4/26/2008 12:00:00 AM | ||||
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13 - Links for 2008-04-24 [del.icio.us] | ![]() |
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| 4/25/2008 12:00:00 AM | ||||
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14 - De Virgílio, a Dante (de A Divina Comédia) | ![]() |
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| 4/24/2008 5:56:45 PM | ||||
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Ilustração do Canto XXIII da Divina Comédia, por Gustav Doré
“Eia! toda a fraqueza em ti se mude!
Em ócio” — disse o Mestre — “ou sobre a pluma Prêmios ninguém conquista da virtude. “Aquele que a existência assim consuma, “Ergue-te, pois! Torpor de ti desterra! “Que vais subir muito alto a mente pense; (Divina Comédia, Inferno, passagem do Canto XXIV. Tradução de José Pedro Xavier Pinheiro)
Sobre Dante, esse site traz a Divina Comédia completa, com referências de estudos e traduções (inclusive com o poema original). A tradução completa de José Xavier Pinheiro consta aqui. É notável o trabalho de conservação das rimas.
Finalmente, Gustav Doré tem vários sites dedicados às suas gravuras, que vão da Bíblia até Dom Quixote, passando também por Dante. Especialmente o Doré Ilustrations traz as imagens em alta resolução. Vale muito a pena conferir.
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15 - Links for 2008-04-23 [del.icio.us] | ![]() |
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| 4/24/2008 12:00:00 AM | ||||
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16 - Indios | ![]() |
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| 4/21/2008 8:17:52 PM | ||||
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"Família de um Chefe Camacã preparando-se para uma festa", de Debret
Conversava alguns dias atrás na praça com um transeunte, sobre o estatuto dos índios no Brasil. A respeito de uma reserva situada no sul do país, meu interlocutor exclamou que a única coisa que se vê são índios na beira da estrada, vendendo animais ilegais e artesanatos mal feitos, perambulando e bebendo. Enfim - completou -, tudo devido a uma política "assistencialista" do governo. Índios seriam bon vivants, assistenciados e irresponsáveis. Resumindo, "vagabundos".
Talvez o espanto diante de tais declarações não torne inútil um pouco de beabá.
Que os governos brasileiros sempre tiveram políticas duvidosas em relação aos índios, não há o que contestar. Inclusive, acontecimentos recentes mostram isso. O general Augusto Heleno toca na discussão, quando diz que a política indigenista brasileira é desordenada e "caótica".
No discurso de Heleno, misturam-se alguns elementos: um certo descaso dos governos, misturado com políticas territoriais, colonização e grilagem desordenada, até a ação de ONG´s internacionais em locais onde o próprio Estado precariamente chega. Somada a isso, a atuação do exército, ao mesmo tempo limitada, porém efetiva, e um dos únicos elementos que mostram alguma presença governamental.
Quanto ao meu interlocutor, o primeiro elemento a se notar é que ele dirigiu a responsabilidade pelos índios aos próprios índios. Mas as coisas não são tão simples assim. Sobre isso, a própria reserva mencionada por ele até hoje sofre disputas territoriais com colonos. O que salta aos olhos é a individualização da responsabilidade. Se índios são ‘vagabundos e irresponsáveis assistenciados pelo governo’, e ainda contrários às políticas de agronegócio que circundam suas próprias terras, a primeira pergunta que sugeriria ao interlocutor é: e então, supondo que isso fosse verdadeiro, o que se propõe? Dado o horizonte de comparação, quando se colocam os índios na posição de irresponsáveis, o fim proposto seria o dos "responsáveis", ou em termos mais claros, os modelos hoje predominantes de agronegócio. Índios seriam vagabundos porque não "empreendem", e "empreendimento" refere-se àquela frase retirada dos meios empresariais.
Vê-se portanto que a "responsabilidade individual" não ocorre sozinha. Junto a ela aparece um conjunto de perspectivas sobre como a terra deve ser "gerida".
E nessa reserva em questão existe outro fator: a questão de leis ambientais que preservam a mata, ao mesmo tempo em que exigem a conservação da reserva indígena. Ainda, atribuem-se aos índios boa parcela de preservação efetiva de mata remanescente. Essa reserva contém a maior floresta de araucárias do mundo. Derrubar uma araucária, na região inteira, é crime. Nesse contexto, aplicar diretrizes de agronegócio significaria retirar o resto da mata, que não por acaso se conserva por estar dentro de uma reserva. Isso é um problema recorrente, mas vê-se uma atitude clara da tribo a favor da floresta.
Esses dois elementos conduzem à questão histórica. Se há uma reserva com um certo estatuto de "abandono", aos olhos do meu interlocutor gerando índios "vagabundos"; e se essa reserva é rodeada por grandes empreendimentos de agronegócio, uma das conclusões óbvias é que, devido à colonização dos últimos 100 anos, os índios que não se misturaram acabaram recuando diante dos colonizadores, até o recuo chegar ao ponto drástico de exigir uma reserva. Essa reserva foi fundada dentro de políticas indigenistas até hoje consideradas questionáveis, implicando toda uma série de elementos confusos. No fim da "cadeia" dos fatos, meu interlocutor apenas enxerga vagabundos.
Os elementos acima talvez permitam dizer algumas coisas: que meu interlocutor fictício não é apenas um (embora, felizmente, poucos parecem pensar assim); que problemas como esses não ocorrem em apenas uma reserva; que existem preconceitos estereotipados graves sobre os primeiros habitantes do Brasil; e que, finalmente, mesmo problematizando, tudo não se passa de modo tão simples.
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Esse post faz parte da blogagem coletiva sobre o "dia da Terra", do Faça sua Parte (verbeat.org/blogs/facaasuaparte). Refere-se, portanto, ao 22 de abril. Mas também, como se pode ver, ao 19 de abril.
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17 - Links for 2008-04-18 [del.icio.us] | ![]() |
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| 4/19/2008 12:00:00 AM | ||||
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